Homilia - Pro Ecclesia (Miguel III)
Observe que as três leituras que acabamos de ouvir reúnem um tema central: o movimento. Na primeira leitura, encontramos o conceito de avanço pelo caminho; na segunda leitura, a ideia de construir a Igreja; e no Evangelho, a importância da confissão. Caminhar, edificar e confessar são os pilares dessas passagens.
Caminhar. Em Isaías 2,5, ouvimos o convite divino: "Vinde, Casa de Jacob! Caminhemos à luz do Senhor". Esse chamado nos lembra o primeiro mandamento que Deus deu a Abraão: "Caminha na minha presença e sê irrepreensível". A mensagem é clara: nossa vida é uma jornada, e parar no caminho é um equívoco. Devemos continuar a caminhar sempre na presença do Senhor, sob Sua luz, buscando viver com a mesma irrepreensibilidade que Deus planejou de Abraão em Sua promessa.
Edificar. A segunda leitura nos fala sobre a construção da Igreja. Embora o texto mencione pedras, enfatize que essas pedras são vivas, ungidas pelo Espírito Santo. A tarefa é clara: construir uma Igreja, a Esposa de Cristo, sobre uma pedra angular que é o próprio Senhor. Assim, encontramos outro elemento crucial em nossa jornada espiritual: a construção.
Confessar. Podemos caminhar, construir e criar muitas coisas, mas se não confessarmos Jesus Cristo, estaremos no caminho errado. Podemos nos tornar uma organização social caridosa, mas não seremos a verdadeira Igreja, a Esposa do Senhor. Quando não confessamos Jesus Cristo, lembramos a famosa frase de Léon Bloy: "Quem não reza ao Senhor, reza ao diabo". Quando não confessamos Jesus Cristo, estamos, na verdade, confessando o mundanismo do diabo, a influência mundana do maligno.
Caminhar, edificar e confessar. No entanto, devemos estar conscientes de que a nossa jornada espiritual não será isenta de desafios. Às vezes, enquanto caminhamos, construímos ou confessamos, enfrentamos abalos e forças que nos puxam para trás.
O Evangelho continua com uma situação especial. Pedro, que confessou Jesus Cristo como o Filho de Deus vivo, agora diz a Jesus: "Eu Te seguirei, mas a ideia da Cruz não é fechada". Isso não se encaixa em seus planos. Seguir Jesus sem a Cruz não é o verdadeiro caminho. Se caminhamos sem a Cruz, construímos sem a Cruz ou confessamos um Cristo sem a Cruz, não estamos seguindo verdadeiramente o Senhor. Em vez disso, nos tornamos mundanos, mesmo que ocupamos cargos na Igreja, como bispos, padres, cardeais ou até papas. Mas não somos verdadeiramente discípulos do Senhor.
Quero que, após esses dias de graça, todos nós tenhamos a coragem, sim, a coragem, de caminhar na presença do Senhor, carregando a Cruz do Senhor; de edificar a Igreja sobre o sangue do Senhor derramado na Cruz; e de confessar Cristo Crucificado como nossa única glória. Que, pela intercessão de Maria, nossa Mãe, o Espírito Santo nos conceda a graça de caminhar, edificar e confessar Jesus Cristo Crucificado. Amém.
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