Homilia Finados

 Queridos irmãos e irmãs, na celebração de hoje, somos chamados a contemplar o mistério da vida eterna e a confiança plena na promessa de Deus. Hoje, enquanto registramos o que já partiram, estamos consolados pela certeza de que “as almas dos justos estão nas mãos de Deus” (Sb 3,1). Esse é o centro da nossa esperança cristã: mesmo diante da morte, não estamos abandonados, pois Deus cuida de cada um de nós com um amor eterno.

Em meio à saudade e à dor, encontramos consolo na certeza de que a vida não termina na morte. Deus, que é a própria fonte da vida, acolhe em Suas mãos amorosas aqueles que O buscaram com o coração justo, e nada, nem mesmo a morte, pode os afastar desse amor. Nosso Deus é um Deus de vida, que guarda e protege, e essa verdade nos traz paz em momentos de separação.

Somos, portanto, convidados a olhar para além do visível, a confiança de todo o coração que a segurança do Senhor permanece para além desta existência. No íntimo de nossa fé, sabemos que Ele é fiel às Suas promessas e que, um dia, nos concederá a graça de ver a plenitude de Sua bondade. Não vivemos para nós mesmos, nem morremos para nós mesmos; nossa vida e nossa morte pertencem a Deus, que nos criou para estarmos em comunhão com Ele. Esse mistério de pertencer a Deus é um convite a viver cada momento como parte de um plano maior, onde a morte se torna apenas uma passagem, uma porta aberta para a eternidade.

Em Jesus, temos a promessa de que acenda nossa esperança: Ele veio para que tivéssemos a vida em plenitude e para nos resgatar para a vida eterna. O próprio Cristo nos diz que todos os que nele creem já estão guardados em Seu coração, e que Ele não perderá aqueles que o Pai lhe confiou. Essa promessa nos lembra que, para Deus, não existe fim, apenas transformação. Nossos entes queridos, que partiram antes de nós, estão agora envolvidos pela paz de Cristo, guardados para sempre Nele. Essa é a certeza que nos consola: estamos todos unidos pelo amor de Deus, e, em Cristo, nada se perde; tudo é transformado.

Ao nos registrarmos aqueles que amamos e que já partiram, somos chamados a viver essa confiança na vida eterna, a sentir o consolo de que um dia todos nos reuniremos na casa do Pai. 

Inspirados também por São Francisco de Assis, peçamos a Deus a graça de, mesmo em meio à dor, sermos portadores da paz e da esperança: “Senhor, fazei de mim um instrumento de sua paz... onde há tristeza, que eu leve uma alegria”. Que essa paz nos console e nos renove, sabendo que nossos irmãos estão vivos em Deus. Que nossa confiança em Cristo nos faça viver com fé, e que um dia nos reunamos com Ele e todos aqueles que amam na plenitude do seu Reino. Amém.

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